Russel, da Mercedes, crava a pole na Sprint em Zandvoort
Mercedes coloca Russell na pole da Sprint do GP da Holanda, enquanto Norris, Leclerc e Piastri e Antonelli completam o top 5, separados por menos de 0.227s, em disputa extremamente apertada.
A classificação para a Sprint, realizada nesta sexta-feira, não ofereceu respostas definitivas sobre quem tem o carro mais forte no circuito holandês. Pelo contrário: Mercedes, McLaren e Ferrari alternaram o comando ao longo das três partes da sessão, com diferenças mínimas entre os líderes.
O resultado também mexeu diretamente com a disputa pelo campeonato. Kimi Antonelli, líder isolado do Mundial, ficou em quinto depois de cometer um erro na primeira volta rápida do SQ1 e danificar o assoalho do carro ao passar pela brita. Max Verstappen parte em sexto, Lewis Hamilton em sétimo. O brasileiro Gabriel Bortoleto fez ótima sessão, superando mais uma vez seu companheiro de equipe, e larga da nona colocação.
“Eu poderia facilmente ter ficado em primeiro, mas também poderia facilmente ter terminado em quarto ou quinto”, resumiu Lando Norris sobre o equilíbrio da sessão, em que poucos centésimos separaram os principais candidatos à pole.
SQ1: Leclerc lidera, Mercedes tropeça e Aston Martin fracassa
A primeira parte da sessão foi disputada com pneus médios, como determina o formato da Classificação Sprint. Com a pista seca e a temperatura subindo para 34 °C, os pilotos precisaram lidar com um traçado em constante evolução e com a margem de erro reduzida pelas áreas de brita de Zandvoort, como bem mostrou Kimi Antonelli.
Logo na sua primeira volta, o italiano perdeu o controle na entrada da última curva, atravessou a brita e danificou seu carro. A Mercedes informou que o carro perdeu downforce por causa do dano no assoalho. Antonelli conseguiu voltar à pista, mas o episódio comprometeu a sua classificação e obrigou o líder do campeonato a trabalhar desde cedo com um carro abaixo do potencial original.
Enquanto a Mercedes administrava o problema, a Ferrari assumiu o protagonismo. Leclerc terminou o SQ1 na liderança, à frente de Norris, Piastri, Hamilton e Russell. A liderança, no entanto, escondia uma disputa extremamente equilibrada: McLaren, Ferrari e Mercedes estavam separadas por margens pequenas, e ninguém parecia capaz de controlar sozinho os três setores do circuito.
A grande decepção da etapa foi a Aston Martin. Mesmo com atualizações importantes e uma nova unidade de potência Honda, a equipe não conseguiu levar nenhum de seus carros ao SQ2. Lance Stroll ficou em 19º, enquanto Fernando Alonso terminou em 22º. O espanhol ainda sofreu com um problema no Straight Line Mode (sistema que achata a asa traseira em retas), além de uma escapada para a brita. O pacote atualizado mostrou potencial no papel, mas não apareceu na pista.
O SQ1 também eliminou Ollie Bearman, Carlos Sainz, Valtteri Bottas e Sergio Pérez. Para a Williams, o resultado foi particularmente frustrante: Sainz, que renovou seu contrato com a equipe, ficou em 18º após enfrentar dificuldades e carregar danos no assoalho desde o treino livre.
Eliminados em SQ1:
- 17º — Ollie Bearman (Haas)
- 18º — Carlos Sainz (Williams)
- 19º — Lance Stroll (Aston Martin)
- 20º — Valtteri Bottas (Cadillac)
- 21º — Sergio Pérez (Cadillac)
- 22º — Fernando Alonso (Aston Martin)
SQ2: Racing Bulls e Alpine brilham no meio do pelotão
Com 16 carros restantes, o SQ2 manteve os pneus médios e tornou ainda mais evidente a força da McLaren. Norris foi o primeiro a entrar na casa de 1min12s, mas Piastri respondeu com autoridade e marcou 1min12s026, quase meio segundo à frente do companheiro naquele momento. O australiano parecia ter encontrado o equilíbrio ideal entre velocidade nas curvas e tração nas saídas.
Leclerc e Hamilton apareceram logo atrás, enquanto Russell avançou para terceiro e Antonelli se colocou em quinto. A Mercedes era especialmente forte no primeiro e no último setor, mas perdia terreno para a McLaren no setor intermediário. Essa característica ajuda a explicar por que a equipe alemã conseguiu brigar pela pole, mas não dominou a sessão.
A briga pelo meio do grid foi tão relevante quanto a disputa pela primeira posição. Pierre Gasly, beneficiado pelas atualizações instaladas em seu Alpine, avançou ao SQ3. Segundo a própria equipe, o pacote instalado no carro do francês representava cerca de sete décimos de segundo em relação ao conjunto utilizado por Franco Colapinto. A diferença entre os dois carros foi nítida: Gasly entrou no top 10, enquanto Colapinto foi eliminado em 13º.
Gabriel Bortoleto, da Audi, também garantiu sua vaga na fase decisiva, assim como Arvid Lindblad, da Racing Bulls. A presença dos dois reforçou a expectativa de uma disputa apertada pelos pontos na corrida de amanhã, a Sprint pontua apenas os 8 primeiros.
Liam Lawson, de volta ao cockpit da Red Bull para substituir o lesionado Isack Hadjar, chegou a mostrar força durante a sessão, mas não conseguiu acompanhar a evolução dos adversários. O neozelandês terminou em 11º, apenas 0s009 à frente de Yuki Tsunoda, que retorna à Racing Bulls neste fim de semana. Para Lawson, o problema esteve na falta de progresso entre as partes da classificação: o carro começou competitivo, mas não repetiu o salto apresentado pelos rivais.
Nico Hülkenberg e Esteban Ocon também foram eliminados, assim como Alex Albon. Haas e Williams continuaram distantes da briga pelo top 10, enquanto a Cadillac permaneceu alguns passos atrás do ritmo geral.
Lawson, sobre o resultado, resumindo bem a sensação de quase lá: “Normalmente você vai melhorando ao longo da Qualifying, e começamos a SQ1 bastante fortes, mas não demos o mesmo passo que todo mundo deu depois. Vamos analisar. Sinto que estava bem no carro, achei que fôssemos passar, então é uma pena.”
Eliminados em SQ2:
- 11º — Liam Lawson (Red Bull)
- 12º — Yuki Tsunoda (Racing Bulls)
- 13º — Franco Colapinto (Alpine)
- 14º — Nico Hulkenberg (Audi)
- 15º — Esteban Ocon (Haas)
- 16º — Alex Albon (Williams)
SQ3: Russell entrega a volta que a Mercedes precisava
A decisão da pole aconteceu em apenas oito minutos, com pneus macios e praticamente nenhuma margem para uma segunda chance.
A pista esfriava, o tráfego poderia comprometer as tentativas e os pilotos precisavam escolher entre sair cedo para buscar duas voltas rápidas ou esperar até os minutos finais e apostar tudo em uma única passagem.
A estratégia escolhida foi a mais arriscada.
Norris foi o primeiro dos favoritos a colocar um tempo de referência. O piloto da McLaren marcou 1min11s608 e assumiu provisoriamente a pole. Leclerc não conseguiu superar o britânico, e Antonelli também ficou pelo caminho. Quando Russell completou sua volta, porém, a Mercedes encontrou exatamente o que procurava: o inglês foi 0s041 mais rápido e tomou o primeiro lugar.
Leclerc terminou em terceiro, a apenas 0s055 de Russell, enquanto Piastri ficou em quarto.
A diferença entre os quatro primeiros foi de apenas 0s099, um retrato fiel do equilíbrio entre as três equipes mais fortes do dia.
Antonelli ficou em quinto, aproximadamente dois décimos atrás do companheiro, seguido por Verstappen e Hamilton.
Hamilton merece uma menção à parte. O heptacampeão foi competitivo no treino livre e no começo da classificação, mas não conseguiu juntar os setores na tentativa decisiva. O resultado foi o sétimo lugar, mais de seis décimos atrás do tempo de Russell. Em uma sessão tão apertada, uma volta abaixo do ideal foi suficiente para transformar uma possível briga pela primeira fila em uma largada no meio do pelotão.
Gasly, Bortoleto e Lindblad completaram o top 10. Para Alpine, Audi e Racing Bulls, o resultado abre uma oportunidade concreta de pontuar.
GRID FINAL DA SPRINT — ZANDVOORT
- George Russell — Mercedes
- Lando Norris — McLaren
- Charles Leclerc — Ferrari
- Oscar Piastri — McLaren
- Kimi Antonelli — Mercedes
- Max Verstappen — Red Bull
- Lewis Hamilton — Ferrari
- Pierre Gasly — Alpine
- Gabriel Bortoleto — Audi
- Arvid Lindblad — Racing Bulls
- Liam Lawson — Red Bull
- Yuki Tsunoda — Racing Bulls
- Franco Colapinto — Alpine
- Nico Hulkenberg — Audi
- Esteban Ocon — Haas
- Alex Albon — Williams
- Ollie Bearman — Haas
- Carlos Sainz — Williams
- Lance Stroll — Aston Martin
- Valtteri Bottas — Cadillac
- Sergio Pérez — Cadillac
- Fernando Alonso — Aston Martin
Russell coloca pressão, Antonelli precisa reagir
A pole é mais do que uma estatística positiva para Russell. Depois de um fim de primeira metade da temporada que não saiu como o piloto desejava, começar o retorno do campeonato à frente do companheiro e dos principais rivais representa uma resposta imediata. A Mercedes não demonstrou superioridade absoluta em Zandvoort, mas Russell encontrou a volta perfeita no momento decisivo, exatamente o tipo de atuação necessária para reduzir a pressão interna e impedir que Antonelli amplie sua vantagem no Mundial.
A Sprint terá 24 voltas e distribuirá oito pontos ao vencedor, sete ao segundo colocado e assim sucessivamente até o oitavo. Se Russell e Antonelli terminarem exatamente nas posições em que largam, a diferença entre eles sofrerá uma redução de quatro pontos. Isso não muda o panorama do campeonato, mas pode alterar o tom da disputa justamente no início da segunda metade da temporada.
Líderes do dia e decepções
Russell foi o nome da classificação porque combinou velocidade e execução. A pole veio em uma sessão na qual Mercedes, McLaren e Ferrari trocaram posições constantemente. Norris esteve na frente até os instantes finais; Leclerc liderou o SQ1; Piastri dominou o SQ2. Russell, porém, foi quem entregou a volta que valia a primeira posição.
Entre os demais destaques, Piastri foi provavelmente o piloto que mais impressionou em ritmo puro. O australiano comandou o SQ2 e colocou a McLaren em uma posição de ataque para a Sprint. Norris, por sua vez, confirmou a consistência do carro e ficou a apenas 0s041 da pole. Leclerc manteve a Ferrari na disputa, enquanto Gasly e Bortoleto foram os melhores representantes do pelotão intermediário.
Antonelli merece uma avaliação cuidadosa. O quinto lugar não é um desastre, sobretudo considerando o dano sofrido no assoalho, mas o erro no SQ1 custou desempenho e confiança. O líder do campeonato escapou de uma eliminação precoce, porém terá uma Sprint difícil pela frente.
A maior decepção foi a Aston Martin. A equipe chegou a Zandvoort com atualizações e uma nova unidade de potência, mas terminou o SQ1 com os dois carros eliminados. O problema de Alonso no sistema de asa traseira ajuda a explicar o resultado do espanhol, mas não apaga o desempenho abaixo do esperado do conjunto. A Williams também deixou a desejar, especialmente com Sainz e Albon fora do SQ2, enquanto a Cadillac confirmou que ainda está distante do ritmo necessário para incomodar os adversários.
Lawson, embora frustrado, não deve ser colocado no mesmo grupo das grandes decepções. O retorno à Red Bull aconteceu em um fim de semana de adaptação, e o 11º lugar não é desastroso, o neozelandês inclusive andou à frente de Max Verstappen em alguns momentos da classificação. Ainda assim, perder o SQ3 por tão pouco reforça como cada detalhe será decisivo na disputa do meio do grid.
A corrida Sprint começa às 07:00 da manhã desse sábado. Logo após, às 11:30, teremos a classificação da corrida principal. Você acompanha tudo aqui no BlackFlagF1.
